Aqui na Polvo todo mundo pratica o tradicional esporte de trocar tempo, conhecimento (expertise também, também), inteligência, dedicação, estrutura, talento e tudo aquilo que você deve ter e que, durante a maior parte do seu tempo, também está trocando com alguém (ou com muitas pessoas), por dinheiro.
Por dinheiro a gente entende montante para viver com dignidade e conforto compatível àquilo que nossas criações burguesas compreendem como suficientes, pagar as contas (isso, isso: luz, água, telefone, condomínio, escola das crianças, seguro do carro, etc), fomentar o “crescimento sustentável” da firma (ou seja, sem vender a alma pro banco) e, anualmente, cometer o excesso de viajar durante uma semaninha. É mais ou menos parecido com o que você vive? Sim ou não, é a nossa realidade. E ás vezes é tão libertador poder compartilhá-la!
Você já tentou (ou já presenciou alguém) entrar no supermercado e botar R$ 200 de mercadorias no carrinho, mas só pagar R$ 100? Já olhou uma calça de R$ 400 na vitrine da loja up-to-date e entrou dando bronca na vendedora dizendo que no Shopping das Fábricas tem jeans por R$ 40? Já tentou convencer seu médico de que precisa só de uma “cirurgiazinha”? E na concessionária – “Olha, comprei mês passado, mas furei o sinal vermelho e um cara destruiu a lateral, conserta na moral pra mim”? Duvido. Acredito se tiver vídeo.
Maaaaaaas, se você é desta nossa área (ou de alguma outra qualquer que tenha que conviver com essa impensável situação) talvez tenha que constantemente explicar pra algum cliente, com educação e de forma didática, que uma “alteraçãozinha” é trabalho. E que talvez ele não consiga dimensionar exatamente esse diminutivo porque simplesmente não é da área. E que (essa parte geralmente fica como mantra interno) você nunca passou na empresa dele e tentou levar um produto ou serviço na faixa – não que tenha faltado vontade, mas porque é dessa forma que o mundo capitalista funciona tanto no caminho de ida quanto de volta (a gente pode permutar, quando convém a ambos).
Eu passo vontade diariamente. Além de estar grávida (he), sou GENTE. Muito menos suscetível do que a massa aos apelos de consumo, mas suscetível, sim. Quero ter um suupercarro, suuuper casacos e botas, um celular turbo, o set de roupas de bebê mais cool deste Brasil, cabelos, pele e corpo suuuperbem tratados, todos os livros do mundo, uma mesa na sala pra mais do que 4 pessoas. Não tenho porque, hoje, não dá. Não que os fornecedores dessas paradas sejam daquele tipo desprezível de ser humano que ousa trocar esses itens por dinheiro (!), mas porque o dinheiro que eu tenho apenas não é suficiente pra viver e ter tudo isso.
O que eu faço?
Procuro aquilo que cabe no meu bolso. Sem ofender ou destratar ninguém por estar tentando me cobrar quanto acredita que seu produto/serviço valha. E sem pelamordedeus tentar convercer alguém de que seu trabalho possa/deva ser realizado de graça ou por 1/3 do valor pedido. POR DEUS, não pode fazer isso. Dignidade já.
Da mesma forma como já fomos recebidos como mercenários, colecionamos relatos de clientes que optaram pela Polvo porque nosso trabalho era o mais barato, ou pelo menos o que apresentava mais benefício considerando o valor solicitado. Prova que o mercado tá aí, cheio de opções. Dá pra desfilar de calça de R$ 400 ou de R$ 40, só não vale pedir caridade. Isso a gente faz: pra quem notoriamente precisa e merece.
Ah, aliviei.
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Este post foi inspirado por uma série de passagens que presenciei nos últimos dias e também no mui adequado vídeo enviado por meu camaradinha Diego (desculpa, Diego: tenho outro), que parece que estava esperando no meu inbox pra ser assistido na hora certa. E a hora certa chegou há uma hora:
Falou tudo!!! Lindo! :D
Brigada, Bruno. Imagino que você deva eventualmente passar pelo mesmo. A união faz a força, um dia a gente vence as forças do óleo de peroba!
Belo texto. Já tinha visto o video, mas não vou assistir desta vez.
Na primeira vez que eu vi fiquei atordoado de tão deprimido.
Poxa… passei por essa situação hoje (é esse tipo de fala viria) e marcamos o embate final pra semana que vem. Vamos ver o que vai sair.
Enfim.. Issae!
Passei por essa situação hoje também, via email.
incrivel como tem gente metida a expertona nesse meio. mais incrivel ainda que se a gente apresentar esses argumentos a maioria provavelmente vai se fazer de desententido.
Muito boa, Carla…nós aqui da Go2nPlay passamos por isso todos os dias!
É muito difícil não ceder aos “ajustezinhos”, geralmente nos sentimos mal de cobrar essas meia-horinhas, parece que somos sovinas quando cobramos lá R$ 50, R$ 100 por alterações pequenas – mas qdo somamos esses miúdos no final do mês, dá pra pagar um funcionário a mais! Sem brincadeira, as alterações que não ousávamos cobrar no passado hoje chegam a até 15% do faturamento, sem contar com a perda de lucro que teríamos se não as cobrássemos!
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Nossa, como você consegue ser tão certeira no que escreve? Essa é primeira vez que entro no site do Polvo, e lendo esse post fiquei impressionado. Realmente na Polvo tem gente de verdade, como eu, que quer o melhor para seu cliente, mas sem perder a dignidade.
Parabéns, belo texto.
Abs.
É sempre muito legal ver que este texto ainda produz burburinho. Obrigada a todo mundo que comentou, ganhar o jogo tá em nossas mãos.
Hahahaha…Sério passo por isso o tempo todo. Ótimo desabafo….
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