O que você levaria pra uma ilha deserta?

Parece pergunta da Angélica no Estrelas, né? Aquela forçada de barra, conversa pra boi dormir, que sempre acaba num título de bestseller ou de blockbuster, o que em geral não significa boa coisa. Entretanto, a essência da questão traz uma reflexão interessante. Parece improvável, quase impossível de acontecer, mas neste minuto mesmo o mundo está cheinho de gente que acabou de perder tudo (tu-do mesmo) ou que nunca teve muita coisa mesmo pra carregar consigo.

wik_McCasland

A fotógrafa Susan Mullally é voluntária no projeto “Under the Bridge”, capitaneado por uma igreja cristã numa cidade do Texas. Durante dois anos, fotografou 60 pessoas (doentes, desalojados, viciados, gente em recuperação, etc) que fazem parte dos projetos de reabilitação da Igreja, cujos encontros acontecem literalmente debaixo de uma ponte.  O resultado é o ensaio “What I Keep”: 60 retratos, com uma breve descrição do que aquele objeto significa pra pessoa. É bonito, mas é triste. :~

wik_Clark

Nick Cobbing – fotos na Groenlândia

Nick Cobbing é fotojornalista. Em 2007 (até onde consegui encontrar informação, não há nada muito específico), jogou-se na Groenlândia pra registrar imagens inacreditáveis do mundo de gelo. São texturas, cores e paisagens encantadoras e assombrosas, que ao mesmo tempo em que deixam o visitante boquiaberto, passam uma tremenda sensação de solidão e pequenez.

Em seu site, entre outras imagens, há dois sets – clica na foto pra visitá-los:

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Surface Tension – se a Groenlândia derretesse, o nível do mar
em todo o mundo subiria 7 metros!

e

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Noorderlicht – um rolê de escuna do Ártico à Groenlândia.

Sight unseen – fotógrafos cegos

“I photograph what I imagine,” writes Evgen Bavcar. “You could say I’m a bit like Don Quixote. The originals are inside my head.”

Surpreendente é pouco pra falar das imagens da exposição Sight Unseen, que está rolando na Universidade da Califórnia. Os clicks são registros de fotógrafos com deficiência visual – quatro deles são completamente cegos.  Na minha humble, o set de Evgen Bavcar é o mais impressionante. Lindo, sensacional.

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Visor Vision, de Kurt Weston.

Aqui tem um link pra algumas das fotos na revista Time.

Foto com Flash, foto sem Flash

Gente, como ri dessa parada a seu tempo:

com_semflash

Hoje já não vejo mais a mesma graça sincopante, mas ainda sorrio. Me lembrei dela quando um caminho tortuoso pelo mundo dos links me levou à galeria da fotógrafa mexicana Dulce Pinzon, que teve uma ideia bem batuta: fotografou trabalhadores latino-americanos em seus ambientes de trabalho (majoritariamente em NY) e trajados de acordo com o super-herói que mais se relaciona com a atividade desempenhada. Pequenos textos resumem a história de cada um dos personagens; a maior parte deles dá uma tristezinha. :~

flash

O Flash é cozinheiro e corredor nas horas vagas.
Manda 300 dólares por mês para a família no México.

Re-wilding

O muy jovem fotógrafo Lucas Foglia foi apresentado a um grupo de pessoas no sudeste estadiunidense com um estilo de vida aparentemente incompatível com os dias atuais: gente que produz fogo por meio de atrito, veste peles de animais sobre o corpo e se alimenta basicamente daquilo que a terra dá. Encantando e intrigado por esse comportamento, o rapaz produziu um ensaio lindão e tocante com essas pessoas e publicou em seu website. Uma das fotos abre este post, todas as outras estão aqui.