O que vai acontecer com a Internet

Bilhões de pessoas têm acesso à Internet. Acesso à Internet é um conceito comum entre os mais diferentes tipos de pessoas. Ricos, pobres, brasileiros, parisienses, japoneses, cientistas, noveleiros, jogadores de futebol, prostitutas e jornalistas. É um cotidiano compartilhado, o dia-a-dia. Sozinho, mas em conjunto.

O que vai acontecer com a Internet? Quais serão os próximos hits? Quem serão os grandes players da próxima década? Pra onde vão o Google, a Apple, o Facebook e a Microsoft? Podemos não saber as respostas, mas todos temos uns pitacos pra dar. São bilhões de pessoas em contato com um cotidiano comum. É um universo espetacular para o pitaco. Deveríamos catalogar alguns e ver quais acertam mais.

Um artigo de ontem me chamou a atenção em especial. Chama-se The New New Web: Ask Not Who Needs It, Ask Who Wants It e foi escrito pelo Keval Desai, um investidor do Vale do Silício com mega experiência em Internet (OK, uma coisa meio genérica para ser especialista hoje em dia, mas existem). No fundo, estou escrevendo este post para recomendar a leitura. É raro encontrar uma síntese tão boa dos tempos atuais e do que se espera dos próximos anos.

A grande sacada é a associação da Internet com a Pirâmide de Maslow. Essa é aquela hierarquia que diz que as pessoas precisam primeiro satisfazer suas necessidades básicas (saúde, comida, etc) para depois perseguir amor, afeição e, depois de tudo, autorrealização. Primeiro, as pessoas precisam. Depois, elas querem.

No período 1992-2012, a Internet teria sido a era do Need. Não se tinha nada. Era difícil achar as coisas, veio o Google. Era difícil comprar, veio a Amazon. Era difícil navegar, houve a guerra dos browsers. Email? Gmail. Chat? MSN. Falar? Skype. E várias outras áreas nas quais, apesar de ainda haver concorrência e evolução, o mercado já vai se estabilizando. As ferramentas e serviços já estão razoavelmente maduros.

Atualmente, estaríamos entrando na era do Want. As pessoas já têm o que elas precisam: acesso à informação, banda larga, compras online, conveniência, comodidade. Claro, ainda existe um processo de democratização disso, mas a tecnologia está aí. Só resta ao mercado, aos governos e às pessoas entrarem em um consenso de como distribuir tudo. Mas e o que as pessoas querem? Luxo, poder, sedução? Viagens, relacionamento, supérfluos? Tablets, Ultrabooks, Lanterninhas USB?

É um desafio enorme saber o que as pessoas querem. Trabalhamos e vivemos muito por esse objetivo. Quando dou sorte, consigo descobrir o que eu mesmo quero. O que os outros querem, vamos tentando.

A verdade é que as empresas que conseguiram entender isso antes que as outras estão se dando muito bem. Não preciso de um iPhone, muito menos de um Instagram. Mas, mesmo não querendo assumir, inconscientemente queremos.

Invista um tempo e leia o artigo no All Things D. Há muitas ideias boas e grandes estalos para fazer pensar.

Guernica em 3D

Quando eu era criança vestibulanda, os candidatos aos cursos da área de ciências humanas da UFPR tinham que, além de realizar aquela prova mucho loca de questões com resultado de somatória, fazer também uma prova discursiva de história.

Tive muita sorte mesmo em ter durante o segundo grau (desculpa que no meu tempo não era ensino médio) dois professores espetaculares dessa disciplina, com a qual nunca simpatizei muito: Gastão Vieira de Alencar Junior (melhor nome) e a Priscilão (que era irmã do Ivo [professor de biologia do primeiro ano], mas não me lembro do sobrenome da família).  Ambos eram eloquentes, engraçados e apaixonados pela matéria, então era impossível não assimilar alguma coisa.

Numa insana revisão de véspera, a Priscila deu uma pincelada em história contemporânea, que não tinha sido assim exploraaada durante o ano. Passamos pela Guerra Civil Espanhola e ela comentou sobre o retrato que Pablo Picasso havia feito representando o bombardeio sofrido por uma cidade espanhola. Achei impressionante, fui pra casa, dormi.

No dia seguinte, a famigerada prova discursiva. A última questão era uma reprodução do painel “Guernica”, que deveríamos interpretar e contextualizar. Dei pulinhos internos de alegria e passei no vestibular, brigada.

Semana passada, essa historinha voltou à minha mente quando trombei nesta internet de meu deus com uma renderização 3D da tela. Olha que maravilha:

Juliet, Naked – novo livro de Nick Hornby

Nick Hornby é um homem de áries (alguém duvidava?) e nosso (licença poética) escritor do coração. Não é o preferido, nem o mais brilhante, mas há nele um algo único e inexplicável, que faz seus livros parecerem ter sido escritos por aquele camarada gozado que todo mundo conhece e isso é muito cativante. Os personagens e situações são sempre muito verossímeis, ele é fã de coisas boas do pop e seu texto está sempre influenciado por elas e por seu dilicioso humor inglês.

Seus dois últimos livros (Slam, de 2008, e Uma Longa Queda, de 2005) não tiveram a mesma receptividade louca que os primeiros Alta Fidelidade, Um Grande Garoto e Como Ser Legal. Diiiiiiiz-se por aí que este Juliet, Naked é de arrebentar a boca do balão </vó> e nos traz de volta o Nick que conhecemos. Tucker Crowe (que seja ele o novo Rob Gordon) é um cantor meio one hit wonder, que se isola logo em seguida do grande sucesso e, com isso, dá aos fãs enlouquecidos a oportunidade de pirarem procurando pistas sobre seu “desaparecimento” em títulos e letras de canções. No geral, o livro é uma reflexão sobre o mundo das celebridades e os fãs insanos. Promete e eu quero!

juliet
Encomenda pra mim.

Você trabalha por dinheiro? ou Pintou mais uma revolta

Aqui na Polvo todo mundo pratica o tradicional esporte de trocar tempo, conhecimento (expertise também, também), inteligência, dedicação, estrutura, talento e tudo aquilo que você deve ter e que, durante a maior parte do seu tempo, também está trocando com alguém (ou com muitas pessoas), por dinheiro.

Por dinheiro a gente entende montante para viver com dignidade e conforto compatível àquilo que nossas criações burguesas compreendem como suficientes, pagar as contas (isso, isso: luz, água, telefone, condomínio, escola das crianças, seguro do carro, etc), fomentar o “crescimento sustentável” da firma (ou seja, sem vender a alma pro banco) e, anualmente, cometer o excesso de viajar durante uma semaninha. É mais ou menos parecido com o que você vive? Sim ou não, é a nossa realidade. E ás vezes é tão libertador poder compartilhá-la!

Você já tentou (ou já presenciou alguém) entrar no supermercado e botar R$ 200 de mercadorias no carrinho, mas só pagar R$ 100? Já olhou uma calça de R$ 400 na vitrine da loja up-to-date e entrou dando bronca na vendedora dizendo que no Shopping das Fábricas tem jeans por R$ 40? Já tentou convencer seu médico de que precisa só de uma “cirurgiazinha”? E na concessionária – “Olha, comprei mês passado, mas furei o sinal vermelho e um cara destruiu a lateral, conserta na moral pra mim”? Duvido. Acredito se tiver vídeo.

Maaaaaaas, se você é desta nossa área (ou de alguma outra qualquer que tenha que conviver com essa impensável situação) talvez tenha que constantemente explicar pra algum cliente, com educação e de forma didática, que uma “alteraçãozinha” é trabalho. E que talvez ele não consiga dimensionar exatamente esse diminutivo porque simplesmente não é da área. E que (essa parte geralmente fica como mantra interno) você nunca passou na empresa dele e tentou levar um produto ou serviço na faixa – não que tenha faltado vontade, mas porque é dessa forma que o mundo capitalista funciona tanto no caminho de ida quanto de volta (a gente pode permutar, quando convém a ambos).

Eu passo vontade diariamente. Além de estar grávida (he), sou GENTE. Muito menos suscetível do que a massa aos apelos de consumo, mas suscetível, sim. Quero ter um suupercarro, suuuper casacos e botas, um celular turbo, o set de roupas de bebê mais cool deste Brasil, cabelos, pele e corpo suuuperbem tratados, todos os livros do mundo, uma mesa na sala pra mais do que 4 pessoas. Não tenho porque, hoje, não dá. Não que os fornecedores dessas paradas sejam daquele tipo desprezível de ser humano que ousa trocar esses itens por dinheiro (!), mas porque o dinheiro que eu tenho apenas não é suficiente pra viver e ter tudo isso.

O que eu faço?

Procuro aquilo que cabe no meu bolso. Sem ofender ou destratar ninguém por estar tentando me cobrar quanto acredita que seu produto/serviço valha. E sem pelamordedeus tentar convercer alguém de que seu trabalho possa/deva ser realizado de graça ou por 1/3 do valor pedido. POR DEUS, não pode fazer isso. Dignidade já.

Da mesma forma como já fomos recebidos como mercenários, colecionamos relatos de clientes que optaram pela Polvo porque nosso trabalho era o mais barato, ou pelo menos o que apresentava mais benefício considerando o valor solicitado. Prova que o mercado tá aí, cheio de opções. Dá pra desfilar de calça de R$ 400 ou de R$ 40, só não vale pedir caridade. Isso a gente faz: pra quem notoriamente precisa e merece.

Ah, aliviei.

***

Este post foi inspirado por uma série de passagens que presenciei nos últimos dias e também no mui adequado vídeo enviado por meu camaradinha Diego (desculpa, Diego: tenho outro), que parece que estava esperando no meu inbox pra ser assistido na hora certa. E a hora certa chegou há uma hora:

O(s) maior(es) palíndromo(s) do mundo

Palíndromo é aquela expressão/frase/número que conseguimos ler de trás pra frente e de frente pra trás e ela permanece igual (a Wikipedia versa mais profundamente sobre o tema): como exemplo, cito o clássico “Socorram-me! Subi no ônibus em Marrocos!”.

Se já parece admirável conseguir fazer essa mágica com poucas palavras, sinistro deve ser produzir um texto nessas condições. Tem gente que consegue e se lambuza: é o caso de Demetri Martin, comediante norte-americano, que produziu a sequência abaixo:

Dammit I’m mad.

Evil is a deed as I live.
God, am I reviled? I rise, my bed on a sun, I melt.
To be not one man emanating is sad. I piss.
Alas, it is so late. Who stops to help?
Man, it is hot. I’m in it. I tell.
I am not a devil. I level “Mad Dog”.
Ah, say burning is, as a deified gulp,
In my halo of a mired rum tin.
I erase many men. Oh, to be man, a sin.
Is evil in a clam? In a trap?
No. It is open. On it I was stuck.
Rats peed on hope. Elsewhere dips a web.
Be still if I fill its ebb.
Ew, a spider… eh?
We sleep. Oh no!
Deep, stark cuts saw it in one position.
Part animal, can I live? Sin is a name.
Both, one… my names are in it.
Murder? I’m a fool.
A hymn I plug, deified as a sign in ruby ash,
A Goddam level I lived at.
On mail let it in. I’m it.
Oh, sit in ample hot spots. Oh wet!
A loss it is alas (sip). I’d assign it a name.
Name not one bottle minus an ode by me:
“Sir, I deliver. I’m a dog”
Evil is a deed as I live.
Dammit I’m mad.

E pode ser ainda pior: o escritor francês Georges Perec pariu umas dessas brincadeiras com 1247 palavras!
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