Pensar com a cabeça alheia deveria ser disciplina escolar obrigatória em qualquer currículo em todos os anos em todas as escolas do universo. É um exercício evolutivo poderoso e transformador, daqueles capazes de surpreender-nos a respeito de um assunto sobre o qual supostamente temos domínio: nós mesmos. É muito revelador, recomendo. As respostas que vêm dessa prática (e da reflexão causada por ela) também são capazes de resultar em soluções inesperadas pra problemas universais. Tá aqui um exemplo:

Saiu na Folha De São Paulo, em 07/10. Um designer português deu jeito em uma das minhas (tantas) angústias pessoais e profissionais: tentar entender como os olhos de alguém tão igual a mim não estão enxergando aquilo que eu estou vendo. Pior: e quando esse alguém é meu cliente? Como tentar explicar UMA COR, coisa que a gente aprende no maternal que parece tão primária? Pois Miguel Neiva saiu da caixinha, pensou como um daltônico e deu um jeito de fazer com que 10% da população masculina (400 milhões de homens, um universo bem representativo) conseguisse, se não perceber, pelo menos entender a cor verde, que habitualmente é confundida com o vermelho nos casos de daltonismo.

O diagrama, chamado de ColorADD, explica a formação das cores secundárias, baseadas nas primárias, e traz um símbolo pra representar cada uma das cores formadas pelos tons puros e por suas misturas, mais o preto e o branco. Conhecendo esse código, o portador de daltonismo identifica a cor pelo símbolo correspondente a ela. Simples – mais ainda depois que alguém dedica oito anos da vida estudando pra conceber a ideia.
Em Portugal, algumas cidades já usam o sistema em elementos de comunicação visual pública, e algumas empresas privadas, como fabricantes de tintas e lápis de cor, também estão usando a marcação de Neiva pra identificar seus produtos. Louvável. Quero que se torne uma linguagem universal.